A hora mais importante de sua vida |1


Depois de quase vinte anos trabalhando como assalariado, atento exclusi­vamente aos negócios dos outros, eu decidi restringir meu trabalho à atividade de consultor de empresas. O meu objetivo, então, era ter mais tempo para assuntos de interesse pessoal, como diversos pequenos negócios, a família, cozinhar para os amigos, espiritualidade e similares.

Através de uma prática de meditação, eliminei tudo o que considerei “supérfluo”, ou, em outras palavras, me concentrei no essencial.

Familiares e amigos achavam meu comportamento, no mínimo, muito estranho. Como eu não trabalhava mais 60, 80h por semana, ficavam com a impressão de que eu havia me tornado “um vagabundo, com alguns trocados no banco”.

Passados mais quase vinte anos, em 2012, eu li um post de Greg McKeown que falava do essencialismo. Seria uma nova religião? Vieram outros posts nos anos seguintes. Resolvi não divulga-los. Poderia parecer que eu estava, tardiamente, procurando “desculpas” para a minha opção de vida.

Agora, julho 2014, lendo um novo post de Greg McKeown, penso que é chegado o tempo (no Brasil, quero dizer) de se divulgar e discutir opções de vida como a que fiz – e que me parecem ser as mais interessantes para se viver (segue um resumo do post com o link do original, no rodapé).

Um resumo do post

Um executivo me ligou há alguns meses com uma dor existencial. Ele havia se dedicado nos últimos anos a uma carreira que agora percebia não era a que queria. Ele se surpreendeu ao descobrir o quanto se desviara da rota desejada, e como tudo acontecera sem qualquer escolha deliberada de sua parte.

Como isso é possível?
Por que pessoas inteligentes acabam à deriva (da rota desejada)?
O que podemos fazer sobre isso?

Não é difícil ver como isso acontece. Parece que o mundo conspira para nos manter perpetuamente distraídos com novidades, viciados mesmo, independente de sua importância. Eu me pergunto se em minha lápide vão escrever: “Ele verificava seus e-mails.” E não estou sozinho.

Alguns dados recentes

A revista Time relatou que, em média, as pessoas checam seus telefones 110 vezes por dia. Alguns o verificam 900 vezes.

Uma pesquisa da Harris Interactive descobriu que 83% dos americanos estão estressados ​​por, pelo menos, um aspecto de seu trabalho – um aumento de 10% em relação ao ano anterior.

O New York Times publicou os resultados de uma pesquisa com 12 mil trabalhadores em todo o mundo, e descobriu que muitos não tinham um ambiente de trabalho gratificante e que 70% achavam que não tinham “Tempo regular para o pensamento criativo ou estratégico”.

O resultado dessa alienação vai muito além do estresse. Quando constantemente sobrecarregados pelo trivial não temos tempo nem para pensar em nós mesmos. Podemos ficar anos perdidos, caminhando por uma rota alheia à nossa vontade.

O psicólogo alemão Jan Souman – como parte de um projeto de pesquisa – levou os participantes para o deserto do Saara e os instruiu a caminhar em linha reta. Parece simples, mas acabou sendo complicado: “Alguns deles caminharam em um dia nublado, com o sol escondido atrás das nuvens [assim, sem pontos de referência, (..) todos caminharam em círculos, com vários deles cruzando várias vezes o seu próprio caminho sem perceber. Outros caminharam com o sol brilhando [assim, tiveram pontos de referência]. Estes (..) seguiram um curso quase perfeito em linha reta.”

Em outras palavras, quando podemos identificar e manter nossos olhos fixos no que é essencial, isso nos ajuda a não ficar à deriva.

De volta à ligação do executivo

Quando o executivo me ligou não foi por causa de sua carreira. Ele me disse ter sido recentemente diagnosticado com câncer e ter feito uma cirurgia bem sucedida – estava a salvo, por enquanto. Mas a experiência o desafiou a olhar com grande urgência para o que fazer com o que restava de sua “vida preciosa”.

Propus-lhe dedicar uma hora para responder a 5 perguntas, como segue. Elas têm o poder de melhorar a qualidade de todas as outras horas de nossas vidas.

  1. Vá a um espaço aberto (se possível) e sinta o ritmo da natureza (não o ritmo hiperativo e desumano da vida moderna).
  2. Anote as perguntas a seguir, uma a uma, e dedique, a cada uma, 10 minutos para escrever a sua resposta.

    P1 : O que eu faria se eu tivesse (apenas) uma semana de vida?
    P2 : O que eu faria se eu tivesse (apenas) um mês de vida?
    P3 : O que eu faria se eu tivesse (apenas) um ano de vida?
    P4 : O que eu faria se eu tivesse (apenas) cinco anos para viver?
    P5 : O que eu faria se eu tivesse (apenas) esta vida para viver?

  3. Para finalizar, dedique mais 10 minutos para reler as suas respostas, enquanto se pergunta: Como pode ser a minha rotina na próxima semana para que a minha vida fique mais (ou melhor) alinhada com as minhas respostas?

A vida é rápida e cheia de oportunidades. Nós a complicamos quando pensamos que podemos fazer tudo. E acabamos sendo puxados por distrações intermináveis​​, e nem paramos para pensar.

Mas nós podemos fazer uma escolha diferente. Podemos identificar o que é essencial. Podemos planejar nossa vida com apenas aquilo que realmente importa. E torná-la mais significativa e mais agradável.