Por que Imóveis na Planta (ainda) se Valorizam Tanto? |1


Apesar das frequentes flutuações dos preços no mercado imobiliário, continua sendo significativa a diferença entre o preço de um imóvel na planta e o preço desse mesmo imóvel pronto (uma diferença que pode chegar a 50%). Essa diferença pode ser explicada pela ação de diversas forças, brevemente identificadas sob três pers­pectivas – a seguir.
 

Perspectiva Histórica

O brasileiro é “gato escaldado”, pois, historicamente, temos diversos casos de não cumprimento de compromissos por parte de algumas construtoras, Brasil a fora. O caso mais emblemático, pelo seu escopo nacional, foi o da construtora ENCOL, em meados dos anos 90. Dele resultou uma legislação ampla que objetiva dar maior segurança a investidores e compradores de imóveis no país, da qual destacamos a que regulamenta a adoção do Patrimônio de Afetação. |2

Perspectiva Psicossocial

Talvez por ser “gato escaldado”, o brasileiro prefere adquirir a “coisa pronta” – a isso se junta à falta de hábito de poupar (para então comprar) e o uso exacerbado do crediário. Esses hábitos ajudam a explicar também o porquê de nossas taxas de juros para empréstimos estarem entre as mais altas do mundo.

Perspectiva Econômico-Financeira |3

Nesta perspectiva, à ação das forças anteriores se junta a de três outras forças:

1. O baixo estoque de imóveis prontos para venda ou aluguel, pressionado pela demanda elevada nas regiões metropolitanas e nas grandes cidades brasileiras, empurra para cima os preços destes imóveis (prontos).

2. A expectativa de (a) atualização monetária do custo da construção, desde a aquisição do imóvel em planta até a entrega das chaves (cerca de 15% em 18 meses – base: INCC, 2013), acrescida de (b) uma taxa de juros reais sobre o valor investido (cerca de 5% em 18 meses), já respondem juntas por cerca de 20% da diferença de preços (em 18 meses).

3. O custo de financiamento (juros, burocracia..) para a Construção Civil – desde sempre muito elevado – incentiva a venda de unidades na planta, pois as incorporadoras, em geral, precisam captar parte dos recursos necessários ao deslanche dos empreendimentos.

Conclusão: casos de descumprimento de contrato, preferência do brasileiro pela “coisa pronta”, demanda por imóveis prontos ainda bem maior que a oferta, ajuste monetário de valores investidos, e oferta antecipada de unidades em diversos empreendimentos propiciam a investidores e compradores de imóveis na planta oportunidades de ganhos reais e, certamente, bem melhores do que os de aplicações financeiras convencionais!